Ano 14 Nº 32/2026 O peso da comparação.

Por Kerolin Flores Munhoz

Esse texto é para você que se sente meio perdido ou confuso com a vida aos 20 e poucos ou até além disso. 

Todos os dias vemos uma massa de pessoas tentando rotular como a vida deve ser vivida, principalmente na internet: “ah, fulaninha tem 25 anos, já é casada e tem filhos, e tu, quando pretende namorar? Coisas que, na vida real, a gente sabe que não funcionam nesse formato acabam nos levando à comparação. Mas comparar-se com alguém que tem outra vida também é um erro. Talvez a fulaninha já esteja casada aos 25 porque teve a sorte de encontrar uma pessoa legal cedo; por outro lado ela pode já estar formada, mas nem gostar do que faz. Motivos para ser ou não ser, querer ou não querer não faltam, além disso a vida é esse eterno paradoxo de sermos uma pessoa hoje e outra amanhã. Vamos crescendo, amadurecendo e nos tornando pessoas mais donas de nós mesmos, e muitas vezes o que queríamos antes já não faz mais sentido agora, simplesmente porque o nosso antigo eu desejava aquilo a partir da realidade em que vivia. 

Também existe um fator muito importante: a famosa meritocracia, que, na prática, funciona só no papel e não na vida real. Sabemos que nem todos partem do mesmo lugar e que as oportunidades não são igualmente distribuídas. Há pessoas que nem pensam em casamento ou namoro, porque estão tentando conquistar aquilo que nunca pôde ter, ou aquilo que depende apenas de si mesma para alcançar. Afinal, pasmem: tem gente que começa do zero. E, no fim, todo mundo está tentando ser feliz a partir do seu próprio lugar no mundo. 

Mas quando inventam que, em certa idade, você precisa estar de um jeito específico porque te comparam com fulaninho/a que já era assim nessa fase, vem aquele clichê tão repetido: “quem pergunta se tu estás feliz?”. A vida não vem com um roteiro pronto para seguir, e, honestamente, talvez até fosse mais fácil se viesse. Nós evitaríamos algumas dores, mas também deixaríamos de viver muitas experiências. 

Cada pessoa é única: sentimos e reagimos de formas diferentes diante da vida. Por isso, é perfeitamente normal se sentir perdido aos 15, 25, 35 anos… porque a vida é justamente essa sequência de fases que vamos descobrindo aos poucos. O que hoje faz sentido, amanhã pode já não ter o mesmo valor. Um casamento de 20 anos pode chegar ao fim…e sobre isso: está tudo bem. Na vida real, tudo acontece de forma bem diferente do que se vê nas redes sociais. A vida vai se construindo no dia a dia, com altos e baixos. 

Então, sempre que se sentir perdido ou com vontade de se comparar com alguém, lembre-se de que não há nada errado com você ou com suas escolhas. Uma das frases que mais levo comigo, sempre que o coração aperta, é um clássico verso de Victor Hugo, que você provavelmente já leu em alguma rede social por aí:” Se te perderes, acha-te nas coisas que amas”. Porque é sobre isso, se reencontrar nas pessoas que tu admiras, nas pessoas que tu amas, e lembrar o motivo pelo qual você está ali. E também estar ciente de que ninguém parte do mesmo ponto. Cada história acontece no seu tempo . A pressão do mundo e essas ideias de como a vida “deveria ser” acabam existindo muito mais nas redes sociais, ou, às vezes, na cabeça de quem ainda não consegue entender que cada pessoa é única, com suas próprias vivências, limites e particularidades.

Kerolin Flores Munhoz é estudante do sétimo semestre do curso de Letras- Português, na Universidade Federal do Pampa(UNIPAMPA),Campus Bagé. Atualmente,é bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) Letras. 

“Esta é a coluna do PET-Letras, Programa de Educação Tutorial do curso de Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, do campus Bagé. O programa, financiado pelo FNDE/MEC, visa fornecer aos seus bolsistas uma formação ampla que contemple não apenas uma formação acadêmica qualificada como também uma formação cidadã no sentido de formar sujeitos responsáveis por seu papel social na transformação da realidade nacional. Com essa filosofia é que o PET desenvolve projetos e ações nos eixos de pesquisa, ensino e extensão. Nessa coluna, você lerá textos produzidos pelos petianos que registram suas reflexões acerca de temas gerados e debatidos a partir das ações desenvolvidas pelo grupo. Esperamos que apreciem nossa coluna. Boa leitura”.

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