Ano 08 nº 151/2020 – Por que é difícil aceitar?

 “A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”

(Imagem: Os Simpsons)

Imagem: Os Simpsons

Por Felipe Vasc

   É um questionamento sincero. Por quê?
  Que motivo tenho para seguir alguém ou algum ideal?
  O mundo não apresentou nenhum manual de instruções, o que anula qualquer possibilidade de verdade absoluta. O único argumento são experiências, afetadas por um emocional facilmente manipulável; entre outros fatores, claro. Quem está credenciado a definir o que é sagrado e o que é profano?
    Sapiens Sapiens, racionais, Gênios!
  Tão geniais, que destroem todo o planeta, AKA NOSSA CASA, a única que temos, em nome do conforto. Cria-se armas e bombas, humanos morrem, se arriscam. Tudo em nome de terras delimitadas por linhas imaginárias e ideais políticos.
    Gênios.
  Pelo menos os líderes são diferenciados, tenho que dar o braço a torcer. O que é uma manifestação, se não uma demonstração de agrupamento, por vezes militar, para assustar outros da própria espécie, os forçando a agir de acordo com interesses de um grupo. Uma coisa leve e civilizada. A não ser, claro, que ninguém ceda. Então, uma peleja nada violenta e democrática terá início, o que mostra o patamar que a espécie atingiu.
  Verdadeiros Gênios.
  O pináculo da criação, sequer consegue lidar com um mau funcionamento das funções neurais. Um humano cria um tratamento, estuda, dedica a vida para encontrar soluções, e o que fazemos? Nos preocupamos em definir se a moral dele era ou não compatível a de outros seres (irrelevantes à espécie), que inclusive, seriam beneficiados em uma possível cura.
  Torcer pela morte de um outro ser humano tornou-se algo aceitável. Quer o melhor? Escrever isso pode me colocar em uma posição moral de risco, o que é irônico, porque o discurso “direitos humanos para humanos direitos”, em teoria, era uma resposta a quem desejou a morte do meliante. Deseja-se a morte de alguém, que deseja a morte de outros, pra mostrar ao mundo que desejar a morte é errado.
  Gênios.
  Eu não estar ao lado de ninguém ainda soa estranho?
  Pera…
  A espécie que define como posso ou não agir, o que posso ou não falar, apenas pelo fato de não poder sair do padrão comportamental, moral, ético; é a mesma que exige de mim algum posicionamento em eventuais conflitos? Lutar por ideias criadas por terceiros, ou seres místicos. Ignorar a tortura a animais (Que inclusive nem faz sentido nesse contexto, mas o texto é meu) em nome de cosméticos e tantas outras criações cuja utilidade é agradar ao ego, que aliás, é muito frágil. Me parece uma proposta irrecusável.

   Então, não. Não luto por ninguém, não acredito em ninguém, e provavelmente, por isso, nunca serei uma pessoa de muitos aliados. Precisamos nos juntar em bandos, entendo, está tudo bem. Em uma lógica evolutiva, claro. Aliás, conseguimos a façanha de questionar a evolução, com o argumento da criação, ou da construção social.
  Gênios.
  Eu adoraria lutar pelo grupo que ri do grupo que luta contra os outros grupos, mas todos morreram, de tédio. É triste, pra ser aceito no teu grupo, preciso me enquadrar em todo um manual do seu Deus. Que inclusive é meio ruim, caso contrário, não haveriam questionamentos.
  Se nesse texto, de uma autocrítica da espécie a qual EU PERTENÇO, cometi o incrível crime de não te agradar, ou te causei algum desconforto, fico feliz. Afinal, uma lapiseira, um português nada erudito, sem revisão e sem qualquer responsabilidade com uma escrita perfeita te faz criar aversão a mim, confesso que esperava mais, nem falei do trabalho escravo na China, e do Iphone. Na próxima estarei muito mais violento, carregando minha caneta preta, ponta fina, que brilha na luz azul. 
  Só mais uma coisa, juro.
  Por que é tão difícil aceitar, que se fôssemos bons de verdade, estaríamos em Yale, Harvard, Stanford, e não no Brasil fazendo biquinho e reclamando do quanto o mundo e a vida são injustos?

Com amor, Felipe Vasc s2
  

Eu sou Felipe Vasc, tenho 25 anos, e hoje eu vou pra balada – This is the rhythm of my lifeee tutz tutz- , brincadeira. Estudo Letras Adicionais – Inglês e Espanhol, na Universidade Federal do Pampa. Paga pau número um de Edgard Allan Poe, Lulista na universidade e Bolsonarista junto com a família. Apaixonado pela vida. Juro.

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