Ano 06 nº 014/2018 – O inédito e único de cada leitura

received_964939583670449Por Flávia Azambuja

Você já parou para pensar nos processos por quais passa a leitura por mais simples que possa parecer um texto? Algo para nós automatizado, mas que envolve diferentes processos, entre eles está a inferência. Mas o que é isso?

Aspecto que já foi discutido por Aristóteles, filósofo grego que viveu em Atenas entre 384 e 322 a. c. e que é discutido até hoje. Alguns a entendem como uma estratégia de leitura, estratégia sendo algo que eu decido utilizar para ter uma leitura mais eficiente. Mas fazer inferências não é uma questão de decisão, para mim é algo inerente a leitura, sempre fazemos, mesmo sem perceber ou sequer valorizar. Para uma importante autora, Kleiman, o que fica da leitura, são as inferências que fazemos e não o texto que lemos em si.

Para outros, inferência está ligado ao preenchimento de lacunas, não sendo possível que o autor diga tudo o que gostaria em um texto, o leitor faria inferências para preencher os vazios deixados.

No entanto, essa forma de ver inferência diz muito sobre como vemos leitura e também sobre como enxergamos os leitores. Sabemos que a leitura é um processo individual, que não existe uma única leitura possível de um texto e também sabemos que as possibilidades se abrem a partir de cada leitor. Portanto, um leitor que somente preenche espaços deixados, é um leitor pouco ativo e que não será determinante na leitura.

Para mim, a leitura é processo, é construída a medida que se lê, não está dada quando do texto finalizado, mas se reconstrói cada vez que lido. A partir dessa forma de enxergar o leitor e a leitura também entendemos inferência, peça chave na compreensão leitora. Assim, as inferências acontecem na leitura e como já dissemos são o que ficam da leitura. E acontecem na medida em que o leitor consegue trazer os conhecimentos que já tem sobre o conteúdo do texto lido e relacioná-los com o conhecimento novo presente no texto. Dessa relação entre “velho” e “novo” nasce algo inédito, único, não está no texto nem no leitor, mas na relação entre os dois, isso é a inferência.

E aí curtiu? Fez muitas inferências enquanto lia? Espero que sim e que agora que sabe o que é, espero que elas sejam cada vez melhores.

Fonte: goo.gl/vuPWtVcontent_copy

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Junipampa