Semana da Consciência Negra

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Texto: Andressa Pinto da Costa

Orientado por: Dulce Mari Voss

Arte: Pedro Lago

O Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, foi criado em 1978 na Segunda Assembléia do Movimento Negro Unificado (MNU) realizada em Salvador (BA), quando 283 militantes negros afirmaram sua descendência com ZUMBI, líder da República Negra de Palmares. A república nasceu no estado de Alagoas e durou 100 anos, entre os anos de 1595 e 1695 e marcou a história da resistência negra à escravidão colonial.  

De lá para cá, a luta contra a discriminação racial constitui-se na principal bandeira de luta dos movimentos negros organizados em nosso país e fora dele. Os movimentos negros buscam romper com o padrão cultural elitista, conservador e discriminador que causa a exclusão de homens e mulheres negras na vida social e comunitária, buscando promover uma ruptura na teia social e cultural contemporânea em que ainda persistem preconceitos raciais.

A raça e a etnia são marcadores culturais que identificam corpos pela cor da pele e pela descendência e fabricam identidades raciais, étnicas, sexuais, geracionais, buscando fixar o lugar de cada um/uma na teia social. Identificar o/a negro/a, nomeá-lo/a permite governá-lo/a, pois assim ordena-se a sociedade. Mas, é nessa rede de relações de poder que sujeitos e grupos sociais, no exercício de sua liberdade, podem subverter a ordem e reinventar seus lugares.

É nesses movimentos de luta e resistência contra a discriminação e a exclusão social que devemos nos engajar em defesa dos direitos humanos e sociais, em defesa de uma sociedade que preze e viabilize espaços de diálogo e aprendizagem plurais, como está acontecendo na Semana da Consciência Negra, de 16 a 18 de novembro na UNIPAMPA, Campus Bagé.

É preciso deixar de lado o discurso de inferioridade e de sofrimento, não como negação, pois as injustiças existiram e ainda existem. Mas, é pra frente que se anda seguindo o exemplo de negros escravos que fizeram seu jogo de verdades, cheio de estratégias, conduzindo a si e aos outros, usando como narrador o próprio corpo para expressar palavras que a boca não podia pronunciar e sentimentos que não podiam tolerar. Esse povo negro que se utilizou do princípio da sobrepunjança, com esse desejo de ir além, desviando da chibata e disfarçando seus lamentos em cantigas e ladainhas, criando a capoeira. Utilizaram o poder que rege e gera vida e deixaram de presente uma arte que mais tarde seria reconhecida como patrimônio imaterial da humanidade. É esse o poder que se deve buscar, assumindo a negritude e tomando pra si a história, a cultura do povo negro, valorizando as raízes.

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