Resenha de ‘’O mar e os sentimentos’’, de Isadora Espinosa

Por Willians Barbosa

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Após um arsenal de poemas publicados em antologias e em espaços como o Junipampa ao longo dos últimos anos, Isadora Paiva Espinosa lança seu primeiro livro, intitulado ‘’O mar e os sentimentos’’. A obra conta com trinta poemas e relaciona os movimentos das marés com o dos sentimentos profundos e latentes que temos dentro de nós.

Não é por acaso que o ícone que é apresentado junto com o título de cada poema é uma concha, daquelas encontradas principalmente em praias. A concha serve para proteger os moluscos, assim como nós, humanos, nos protegemos em outros tipos de carapaças. A concha também serve para outras finalidades, tais como permitir que o molusco se mantenha ancorado no fundo do oceano, conseguir se enterrar na areia, entre outras funções. Assim como nós usamos nossas carapuças para múltiplos fins. Porém aqui, Isadora se liberta, a cada poema, dessa carapuça em forma de concha. Quando o molusco morre, seu corpo se degrada e o que sobra é justamente a concha, que se torna um símbolo de várias coisas, desde a fecundidade até sorte e prosperidade. De certa forma, ambos valores são performados por Isadora por meio dessas páginas.

O livro assim se apresenta, como se a cada poema as ondas do mar viessem até mais adiante na praia e largasse ali essas conchas. O leitor, por sua vez, vai colecionando esses objetos de tão alto significado e os admirando ao mesmo tempo que faz uma simbiose interior com as sensações trazidas de cada escrito de Isadora. Pode, o leitor, relacionar cada uma dessas conchas colhidas com um dos valores que a autora prega: luz, amor, alegria, paz, saúde. Mas não são apenas esses os temas: Sem cair nos abismos de seus sentimentos, Isadora menciona também temas menos solares. Ela se põe em uma posição que a obriga a evoluir como pessoa, usando suas ferramentas, suas vivências, sempre de olho em se tornar alguém melhor.

Há várias microfacetas de seus sentimentos que a autora expõe. Como, inclusive, ela mesma diz em um dos poemas: ‘’Perceber que nada é estático / Nem mesmo na natureza / Por que seríamos nós?’’. Um dos momentos mais bonitos do livro é quando Isa se incorpora à natureza, ao mar, e dança. Temos aqui dois corpos, o micro e o macro, a pessoa e o universo, andando de mãos dadas. Até mesmo nos momentos mais desesperançosos, como em ‘’A contradição atual’’, Isadora se mantém fiel a si mesma e ao seu otimismo que lhe é inerente, e finaliza com uma gota de fé ao mencionar a pureza das crianças. ‘’Recomeço’’ é outro exemplo dessa fidelidade, quando ela diz: ‘’Volte ao ponto de partida / Recomece’’.

A dança entre Isadora e a natureza se faz presente em todo o livro. O namoro dela com o vento que lhe beija a face, que lhe bagunça o cabelo, as preces que ela joga em troca ao universo. Não é exagero afirmar mesmo que a natureza é o seu templo, lugar onde ela se guarda, se entrega, trazendo o leitor sempre ao lado. O cenário, contudo, não é sempre estático, com o mar indo e vindo. Temos pássaros cantando ao final da tarde; temos, posteriormente, noites estreladas. A conexão com a natureza é amadurecida de acordo com o rolar das horas, marcadas aqui pela posição do sol e das estrelas.

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Willians Barbosa é jornalista, residente em Bagé/RS.

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