Ano 09 nº 107/2021 – Memórias do Aniversário de Bagé na Escola

Por Taize Gonçalves Goulart

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Igreja Matriz de São Sebastião, Bagé-RS. 

Imagem disponível em http://www.ipatrimonio.org/wp-content/uploads/2017/05/Bag%C3%A9-Igreja-Matriz-de-S%C3%A3o-Sebasti%C3%A3o-Imagem-Leandro-da-Silva-Bertoncello.jpg 

Acesso: 01/08/2021.

Bagé, intitulada Rainha da Fronteira, comemora seu aniversário no mês de julho. Segundo o historiador Tarcisio Antônio da Costa Taborda, depois de uma série de vitórias da Coroa Portuguesa, que disputava territórios com a Coroa Espanhola, a data oficial em que a cidade foi fundada é dezessete de julho de mil oitocentos e onze.

A cidade é dona de lindas praças e prédios históricos, citaremos aqui, as Praças Silveira Martins e Estação; a Casa de Cultura Pedro Wayne, o Centro Histórico de Santa Teresa e a Igreja Matriz de São Sebastião. O município está localizado próximo às águas do Rio Camaquã, com uma população aproximada de 121.335 habitantes, na fronteira com o Uruguai. Nascida nesta cidade, gostaria de compartilhar algumas memórias de infância, vividas na escola no mês do aniversário de Bagé. 

Inicialmente, lembro-me de quando pequena, nos primeiros anos do Ensino Fundamental, estudar a história do nome da cidade, hastear a bandeira e tentar aprender a cantar o hino. Houve uma vez em que fizemos um passeio diferente na minha escola: visitamos um quartel do Exército. Nesse dia, andei a cavalo (claro que na garupa de um cavaleiro), havia também alguns brinquedos, a banda marcial, e me surpreendi com o tamanho do refeitório, pois, na minha escola, a merenda era servida na sala de aula naquela época.

 Como era uma criança que gostava muito de questionar as coisas, lembro de uma vez, nos vários anos em que íamos para frente da escola cantar o hino do Brasil, do Rio Grande do Sul e da cidade, questionar a diretora do porquê da escola não nos fornecer uma folha com o hino da cidade. Na escola, não havia impressoras como hoje e as folhas eram datilografadas em máquinas e copiadas em mimeógrafos a partir de matrizes. Mas, com paciência, aquela professora me falou que depois iria providenciar folhas com o hino para todos, a questão é que eu já estava na quarta série e como havia trocado de escola senti essa diferença, porque, na anterior, tínhamos até um hino de aniversário da escola, e eu sabia cantar, mas o hino da cidade eu não sabia todo. 

Também me recordo dos poemas que fazíamos em homenagem à cidade e dos desenhos de meus colegas que não gostavam muito de escrever. Naquela época, todo mundo era meio desenhista mesmo, porque as revistas do Dragon Ball custavam muito caro para os nossos pais poderem comprar, isso nos anos noventa, hoje existe versão digital para quase tudo. 

Mais tarde, quando cheguei ao Ensino Médio, tínhamos que declamar poemas de autores bageenses, hoje me lembro de quanto tempo de aula perdíamos pela vergonha que sentíamos de falar em público na frente dos colegas, que, depois “dos de casa”, eram nossa segunda plateia. Outra lembrança é que, no dia do aniversário da cidade, muitas vezes, nós, os alunos, comemorávamos a dispensa das aulas, depois dos hinos cantados e da espera ansiosa pelo final do discurso comemorativo. 

Foram bons tempos de escola dos quais nunca irei esquecer. Na verdade, acredito que ninguém esquece, de certa forma, esses momentos marcam nossa vida para sempre a ponto de contarmos histórias como estas aqui. Mesmo a minha escola não tendo muitos recursos na época, nós, enquanto crianças, não pensávamos nessas coisas, pois éramos conduzidos por grandes pessoas que se doaram ao ofício de educadores. Restam-nos hoje as memórias de um tempo que não voltará mais, assim como inúmeros instantes de nossa vida. 

Olhando para o momento que estamos vivendo, durante a pandemia de Covid-19, buscamos saber como aconteceu o aniversário da cidade, descobrimos que, mesmo de forma on-line, nas escolas, a data foi lembrada. Também ficamos sabendo que a Secretaria de Cultura do município preparou uma programação com diversos eventos on-line e presenciais intitulados “A Semana de Bagé”. Para os alunos de hoje, a data ficará registrada de outra forma, porém, esses registros, em um futuro próximo, não deixarão de ser memórias de infância. 

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Imagem: Acervo da Autora

Taize Gonçalves Goulart é acadêmica do Curso de Licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, da Unipampa/Campus Bagé, e Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET Letras.

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