Ano 12 Nº 030/2024 – Se a vida é um game…

Por Isabelly

Seja a própria regra. 

Pare, volte, reinicie, finalize, corra, volte atrás, perca, vença, perca, perca, perca, vença. 

Invictos, idolatrados, vencedores, perdedores, vence dores, vale-tudo, roda-viva, vida que… não para. Nesse dito de regras tu inventas, reinventas, retrocedes, tropeças, tropicas? E o que vale mais? A perda? A vitória? E afinal, quem perde, perde o quê? Quem vence, vence mesmo ou se sente vencedor? Qual o princípio da linha de chegada? Ganha por si, por vários ou pelo ego? 

Do que vale mil medalhas e um coração vazio? 

Retórico, metafórico, o próprio êxtase da sensação de insuperável, invencível, dominador dominado pelo desejo de  vencer. 

Propósito, propositalmente arquitetado, planejado, promovido. E afinal? Colhendo o quê? Plantio cedo, plantio tarde,  depósito de troféus. 

A mesma linha de chegada não tem o alcance de todos. Corre-se léguas, anos.. Bolhas, tombos, dor, lesão, não  chega, é impermissível. 

Regras de dois, de três, a vitória é premeditada para aqueles que vivem na zona de conforto? Não, do privilégio. Tem  gente correndo descalço.  

Teu sono, teu peito, ar, pulmão, apnéia, tontura, cansaço, conta na balança, segundo perdido, sangue no chão. Às vezes não é só a competição, é a própria batalha da vida. 

Batalha pra viver, pra comer, pra acordar, pra voltar. Pra onde? Pra casa, teu castelo. Pedaço de chão, quatro paredes,  três cantinhos, panelas e um fogão. 

E a conta… Chega pra todos em forma de quê? No boleto, no cartão, no crediário, e a mais alta de todas, na  consciência. Cada cabeça uma sentença, a conta chega, ou é cara ou é tardia. Tarda e não falha. 

Não vacila, o mundo gira, é o único que não para. Deus te vê e te guia. Advogado dos fiéis, te dá o que não vê.  Pensamento de vagabundo, preguiçoso, amanhã ou depois, não adianta a reza, a vida é jogo, o jogo não acabou. 

Volta, fase 1, desafio dobrado. O mundo não é para os desesperados, afoitos, diplomados. Nem dos que acham que  acabou, que é só deitar na rede. 

O “the game” tem o mesmo final. Tua vitória está no caminho. 

Quais são as regras inventadas e não ditas? Qual teu maior troféu? O legado de invencível não vai ser lembrado. A  honra da vitória não é pra todos, lembre. 

Cotas, raças, direitos, no papel tá bonito. Na corrida, passam despercebidos, o vitimismo. Morre de olho vendado.  Morre levantando os mãos pro alto. Perdão, Senhor, eu nasci fraco. 

Estuda por alguém, cria o caminho. Não vive o próprio ímpeto do coração. A vida é tua oportunidade não a de alguém. Esquece o bônus, vive o agora. Calma e respira. No meio do caminho sente o vento, desliga a tela. Para para amarrar  o cadarço mais vezes. Volta. Tua pressa é inimiga da perfeição. Perfeição não existe, é só a sensação de carregar nos  olhos o sentimento infantil de que tudo é belo. Se você acredita, leva contigo. Seria bom se mais pessoas  contemplassem o belo da paisagem e perdessem um pouco o foco. 

O medo do fracasso. 

A ânsia pelo sucesso. 

Nesse game da vida, escolha viver o hoje. Sem tempo para o ontem, sem o medo do amanhã. Segue o rumo. Vitória  melhor se vive no plural. 

Isabelly é acadêmica do curso de Letras Português e Literaturas da Língua Portuguesa da Unipampa Campus Bagé. Escrevo palavras dóceis para tornar a vida mais leve e feliz.

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