Ano 11 Nº 066/2023 – Professor doutrinador é pior que traficante? Talvez seja!

Por Ana Paula Fontoura Pinto

Fonte: PNG ALL

Disponível em https://www.pngall.com/pt/

A família Bolsonaro apronta de novo, para variar. 

O site Terra publicou uma reportagem na qual o Bananinha, ops, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, fez uma “crítica construtiva” para a classe docente brasileira, comparando-a a traficantes de drogas. 

Ele disse:“Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante de drogas que tenta sequestrar e levar os nossos filhos para o mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior“. Esse “colaborador da educação” falou esta frase em um evento pró-armas realizado na cidade de Brasília- DF, no dia 10 de julho. 

Não estou surpresa que o filhote da ditadura, que nem sabe o que foi esta “revolução”, seja contra o atual sistema educacional brasileiro, pois QUALQUER governo autoritário é contra a construção de conhecimento e do pensamento livre.

Criminaliza os professores, por ensinarem os alunos a não agirem como gado. É hipócrita ao julgar os traficantes negros e favelados como se a milicia, que ele tanto defende, não fizesse o mesmo.

 O deputado banana precisa olhar para o seu passado e de sua família para responder à população as diversas denúncias feitas pelo Ministério Público de associação à milícia, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e contratação de funcionários fantasmas. 

Voltando para a agressão aos professores pelo bananinha! 

Professor ganha menos que traficante, ponto. Quem dera se o professor tivesse o mesmo faturamento de um bandido desses! Não precisaria trabalhar 60 horas por semana em diversas escolas, em cada canto da cidade, para obter o MÍNIMO para sobreviver com dignidade. 

Poxa! Os caras ganham em horas o que os professores ganham em um mês! 

Pode isso, Arnaldo? Não!

Esta classe de trabalhadores, que forma todas as outras, é a mais desvalorizada. Isso acontece por uma série de fatores, tais como falta de união da própria categoria e falta de um Estado que não investe na educação como almejado. 

Tiram leite de pedra ao realizar planejamentos e ainda têm que cumprir protocolos absurdos implementados pelas secretarias de educação. As secretarias, que deveriam levantar a bandeira da educação, pretendem somente agradar os sinhozinhos políticos que estão pensando em como conseguir votos para elegerem-se e colocar seus filhos em escolas de primeiro mundo – obviamente particulares – com o objetivo de serem educados para dominar a massa. 

Ah, a massa que estou falando somos nós, o povão! 

O povão do qual estou falando é também aqueles alunos que vivem nas periferias. Filhos da fome e da miséria, eles encontram na escola a única forma de matar sua fome por comida e a única coisa que o professor pode oferecer, neste ambiente, é o conhecimento, embora muitos deles também realizem campanhas para a aquisição de alimentos, brinquedos, produtos de higiene. Mesmo assim, apenas 14% dos estudantes receberam auxílio durante a pandemia de covid-19, segundo o site Brasil de Fato, publicado dia 07 de dezembro de 2021.   

Quanto à alimentação, assistência à saúde básica, ao saneamento básico, é obrigação do Estado brasileiro, até porque nós pagamos impostos inclusive  quando compramos uma calcinha.

Sabemos que onde o Estado não está presente o crime organizado se consolida, dando aos necessitados tudo o que o governo não oferece. Um dos maiores exemplos disso foi durante a pandemia, quando em algumas favelas das zonas norte, oeste e região central do Rio de Janeiro os traficantes davam comida, produtos de limpeza e álcool em gel aos habitantes daquela região.  Segundo o site G1, em matéria com o título Tráfico impõe toque de recolher e uso obrigatório de máscaras em favelas do Rio durante a pandemia, publicada dia 08 de maio de 2020, os traficantes determinavam o toque de recolher a partir das 20 horas; a obrigatoriedade do uso das máscaras de proteção; a proibição de eventos e o isolamento social. E ‘Quem for pego descumprindo as ordens irá aprender a respeitar o próximo’, diz a mensagem que foi transmitida aos moradores de favelas do Rio de Janeiro.

Isso aconteceu durante o governo do pai do deputado banana.

Talvez nesses lugares o “professor doutrinador” seja pior que o traficante, pois os professores não dão comida o suficiente para suprir a demanda de três refeições diárias mínimas para o ser humano sobreviver.

Mas não desanimem, professores, continuem contribuindo para a educação deste país, pois um dia a fé na democracia e em um futuro melhor irá superar a barriga vazia.

Uni-vos, companheiros!

Referências

TERRA. Eduardo Bolsonaro: “Professor doutrinador é pior que traficante”. Disponível  em

https://www.terra.com.br/noticias/eduardo-bolsonaro-professor-doutrinador-e-pior-que-traficante,128f6bb89ac13cbc8c4ed1db3c663f56s8cddwic.html Acesso em 18 ago 2023.

UOL POLÍTICA. Sargento traficou cocaína sete vezes em aviões da FAB antes de ser preso.Disponível em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/05/31/sargento-cocaina-fab.htm  Acesso em 18 ago 2023.

G1- O portal de notícias da Globo. Tráfico impõe toque de recolher e uso obrigatório de máscaras em favelas do Rio durante a pandemia. Disponível no link: 

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/05/08/trafico-impoe-toque-de-recolher-em-favelas-do-rio-durante-a-pandemia.ghtml . Acesso em  07 out 2023

Estudante do quarto semestre do curso de Mestrado Acadêmico em Ensino pela UNIPAMPA – Campus Bagé.

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