Relato

Por Flávia Azambuja

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Os cortes rápidos, pouco precisos e em ziguezague revelam mais do que eu gostaria sobre mim mesma. É assim que vivo minha vida de forma rápida, por vezes em ziguezague, intensa. Termino sem nem respirar, respiro e aí paro para pensar. Perguntas saltitam: Por que fiz tão rápido? Por que ela demora tanto? Meu deus, o que ela tá fazendo? Fiz errado? Mas existe errado? Busco sentido, formas concretas, sou prática, a concretude me ajuda a respirar ou será que me tira o ar? Dois corações, a vida pulsando, definitivamente são dois corações. Não, é um pulmão. Sim, agora vejo. Não à toa tudo que preciso é respirar, mas não um respirar qualquer desses que fazemos o tempo todo, um respirar consciente, controlado, na medida do possível. A vida tem muito mais a ver com respirar do que as relações óbvias que estabelecemos. Até que ponto posso controlar o respirar e o viver? 

 

Relato e poema concreto produzido a partir da proposição Caminhando de Lygia Clark. 

 

Flávia é mestra em Ensino de Línguas, inquieta, otimista assumida, co-coordenadora do Lab. Interessada em aprender com tudo e todos.

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