Ano 14 Nº 08/2026 Estupro coletivo no RJ: até quando seremos punidas pelo ”não” que dissermos?

Ana Paula Fontoura Pinto

Estamos no mês do Dia Internacional da Mulher e ainda temos que assistir, pela televisão, ao crescimento dos crimes contra a mulher. Só no estado do Rio Grande do  Sul, 21 mulheres foram assassinadas.

Esses dados mostram que, apesar das conquistas, ainda não temos a liberdade de dizer NÃO sem sermos punidas por isso, e ainda corremos o risco de sermos violentadas das formas mais cruéis possíveis. 

 Infelizmente, o crescimento de casos de crimes sexuais contra mulheres e meninas é assustador. Segundo as estatísticas divulgadas pelo Ipea, a cada minuto, duas mulheres são violentadas sexualmente no Brasil, totalizando cerca de 822 mil casos por ano. Infelizmente veio a notícia de que mais uma entrou para essa triste estatística. 

Uma menor de idade sofreu estupro coletivo no bairro Copacabana, no Estado do Rio de Janeiro. A menina foi a um apartamento com um outro menor, que era seu conhecido, com quem já tinha mantido relações sexuais consensuais. Ao chegar lá, ela se deparou com outros três rapazes que, até então, não aparentavam que iriam cometer qualquer tipo de abuso. Durante o ato sexual do casal, esses criminosos entraram no quarto e começaram a tocar na menina, que recusou a iniciativa. Diante da resistência aos toques, eles a forçaram a ter relações mesmo assim. O resultado: hematomas nos membros inferiores, lesões genitais e um forte sangramento.

 A imagem que mais choca é a dos criminosos comemorando um estupro – UM ESTUPRO.  

Esses criminosos ainda não entenderam que o nosso corpo não é lugar para suas fantasias sexuais perversas; não é um objeto; não somos inferiores; não somos iguais a atrizes pornôs. 

Será que eles ainda não entenderam que as atrizes pornôs assinam contratos para realizar aquelas cenas? É tudo ficção o que vocês veem na tela!

É necessário alertarmos nossos meninos sobre os riscos do acesso à pornografia, pois naquele mundo tudo o que ocorre é atuação; muitos, inclusive, usam estimulantes para realizar as cenas. Muitas mulheres acreditam em uma promessa de trabalho seguro, mas nos sets de filmagem, descobrem que foram enganadas e são submetidas a todos os tipos de maus-tratos e humilhações, incluindo cenas sexuais danosas à saúde física. 

Esse tipo de conteúdo promove a objetificação e a sexualização da mulher, contribuindo para o aumento dos crimes sexuais contra mulheres e meninas.

A impunidade para pessoas com alto poder aquisitivo é revoltante: saem pela porta da frente sem maiores problemas. Se não fosse a pressão da sociedade, será que eles  ainda estariam na cadeia? Certamente não! O pior fato é que os agressores já haviam cometido outros crimes da mesma espécie. Por que não tinham sido denunciados antes? Talvez seja por vergonha das vítimas, pela sensação de impunidade ou pelo medo do julgamento social.

Inclusive, a vítima atual relatou que “não tinha certeza” se tinha sido estuprada, o que revela sinais evidentes de choque. Disse ainda que as pessoas a veem como um “lixo humano”; sua autoestima foi destruída, e ela chegou a cogitar que a culpa era sua, pensando em tirar a própria vida.

Essas são as consequências de um crime! Essas são as consequências para uma menina que confiou em alguém que deveria, no mínimo, preservar sua integridade e respeitar sua vontade quando ela disse: NÃO! 

Infelizmente, vivemos em um país que ainda carrega as marcas da cultura do estupro. A luta continua. Ficaremos em alerta.

E NÃO É NÃO! 

Mulher registrada como desaparecida é morta a facadas no RS; suspeito de feminicídio cumpria pena e havia saído para trabalhar. Disponível no link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/11/mulher-morta-facadas-rs-suspeito-feminicidio-montenegro.ghtml. Acesso em 11 mar. 2026

‘Estupro não acontece no beco escuro. A garota do Rio foi atacada durante uma relação em que depositou muita confiança’, diz escritora. Disponível no link: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd033l323m5o. Acesso em 11 mar. 2026. 

Homem é investigado por mais de 120 crimes sexuais no RS. Disponível no link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2025/05/01/mais-de-120-vitimas-em-5-estados-e-700-pastas-com-pornografia-o-que-a-policia-ja-sabe-sobre-homem-preso-por-crimes-sexuais-no-rs.ghtml.  Acesso em 11 mar. 2026. 

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