Ano 13 Nº 34/2025 O dragão cibernético!

Por Andressa Costa

“De Camões a Fernando Pessoa

Nós somos resultado

Dessa peregrinação longínqua 

De combates e glórias

De afirmação do bem contra o mal,

E mesmo na era cibernética, 

No mundo digital, do hologramas

Ali está São Jorge

Triunfante lá na frente de todos nós,

É a pipoca da pororoca da imaginação…”

Trecho da música Líder dos templários, Jorge Vercilo

Por mais que a ciência se comprove como exata, nós seres humanos necessitamos acreditar em algo além da nossa existência,algo superior a nossa vida terrena. A fé e a ciência sempre parecem faces opostas de uma mesma moeda, porém as histórias de ninar estão cheias de misticismo que une essas duas pontas como um laço, um nó. Foi assim, fantasiando que chegamos numa era onde a informação que precisamos se encontra na palma da mão. É muito divertido pensar que se voltassemos no tempo com nossos celulares e tablets seríamos considerados feiticeiros poderosos e quem sabe até condenados a fogueira. Mas felizmente os tempos são outros e os problemas também, o dragão evoluiu, junto com nossas ansiedades e falta de tempo de qualidade.

Retornei a Universidade neste segundo semestre de 2025 e confesso que fui invadida por um sentimento de nostalgia. A primeira vez que pisei na Unipampa foi em 2016, ou seja, quase dez anos atrás. Porém muito mais que o tempo passou. Vejo a mesma estrutura física, com algumas melhorias, porém o que mudou efetivamente foram as minhas percepções sobre a vida e sobre as coisas. Sinceramente acredito que a mudanças em maioria foram para melhor, dentre elas a migração para as ciências exatas. Mesmo que pareça totalmente desconexo de tudo que já fiz academicamente, posso dizer a quem possa interessar que na verdade é o mesmo assunto: pessoas.

Afinal, são pessoas que idealizam máquinas, são pessoas que desenvolvem esses softwares, são pessoas que programam esses algoritmos. Enquanto existirem seres humanos.

Sim seres humanos, pois mesmo que a tecnologia avance, que a internet das coisas nos receba com café passado, as cortinas abertas e música ambiente escolhida pela ALEXA, lá estará São Jorge, com sua espada em triste para nós defender dos dragões da vida.

Nas religiões de matriz africana, a qual eu pertenço e sempre trago em todos os aspectos da minha vida, esse Santo católico é sincretizado como Ogum, que para nós africanistas é o pai da tecnologia, do avanço, segundo a mitologia yorubá, é ele que permite a construção dessas ferramentas que facilitam o nosso dia e até salvam nossas vidas. Por isso, nessa migração de área do conhecimento e futuramente de carreira, peço licença de Ogum para me defender das angústias e dos anseios que me esperam, me defenda com suas armas para que as provas de recuperação não possam me alcançar, que a angústia antes das provas não tenham olhos para me enxergar, que as apostilas e polígrafo não possam me fazer mal, e que todos os códigos algorítimicos se quebrem sem minha cabeça amarrar. 

Assim seja!

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