Ano 08 nº 088/2020 – O confinamento.
Por Eduarda Paz Trindade
Não, não tenho tempo para me aborrecer. O tempo não sobra pra ler, ver filmes e séries, relaxar, dormir e nem para pensar sobre o futuro.
Sim, os dias assemelham-se, consomem-se na repetição de gestos rotineiros, em trabalho. Este, que é feito, sobretudo, fora de hora, quando seria, na verdade, tempo de descansar.
Os dias são feitos do cuidar,
tarefas diárias, sempre recomeçadas, essenciais ao bem-estar.
Cozinhar
almoços, lanches e jantares, lavar, estender, esfregar, aspirar,
arrumar
roupas, livros, camas, mesas, chão, cozinha e banheiro.
Por maior que seja, o espaço torna-se pequeno
quando dele quase nunca se sai.
Dias úteis tornam-se inúteis
se olharmos à produtividade,
mas intensos em termos de afetividade.
A comunicação tornou-se mais frequente com toda a gente.
Vídeo-chamadas, mensagens e fotografias enchem a memória do telefone e alimentam memórias futuras.
Ele está presente, não só nas notícias, mas em quase todas as conversas, nos pensamentos e no sono.
A toda hora, em qualquer lugar, há sempre qualquer coisa que para ele nos remete, a começar por esse confinamento.
Eduarda Paz Trindade, é acadêmica de Ciências Sociais (Bacharelado) – UFSM. Foi estagiária do 17° EIV (UFSM-2020). Atualmente participa dos grupos de estudos Desigualdades, Diferenças, Subcidadania e Políticas de Reconhecimento e do Sul Global (LabIS – UFSM). Faz parte do Grupo de Leitura e Prática Etnográfica: Etnografia em Tempos de Pandemia (UFSM). Participa do projeto de pesquisa: Reconfigurações no Sindicalismo e no Trabalho Rural (UFSM); é voluntária nos projetos de extensão: “SÓCIO-LÓGICAS”: Divulgação Científica da Sociologia na Plataforma YouTube (UFSM) e produtora de conteúdo do JUNIPAMPA – Bagé.