Eu, pela primeira vez, na escolinha de futebol

jornal2                                                                                                                                Por Kauã Dutra

Uma memória que eu guardo bem fundo em mim é…quando eu entrei no time de futebol, eu tinha quatro para cinco anos.

Meu pai e minha mãe estavam passando por dificuldades. Ele estava em um trabalho mal remunerado, sem condições de nos dar uma boa vida, por isso nos finais de semana, lavava os vestiários e o uniforme do time Independente, um dos maiores times da nossa cidade.

Meu pai passava insistindo comigo para eu entrar nas categorias de base, só que naquela época eu apenas jogava na rua da minha casa, com meus amigos, e nem sabia as regras do futebol. Aí todas as vezes que ele me perguntava se gostaria de entrar para o time, eu respondia que não, mas ele nunca desistia de tentar comigo.

Eu sempre fui mais do meu pai, sempre o amei. Sabia que, se eu entrasse no time, deixaria ele orgulhoso. Por isso que um dia eu decidi.

– Eu vou entrar nas categorias de base do Independente.

E eu entrei. O primeiro dia foi muito bom, consegui fazer um gol. Meu pai ficou muito orgulhoso.

Às vezes em conversas com meu pai, começamos a lembrar como foi meu primeiro campeonato. Foi lá na praia do paredão (um dos pontos turísticos mais conhecidos, inclusive na região).

E o campeonato era em pleno janeiro, a praia lotada, nunca vou me esquecer. Fomos jogar nosso primeiro jogo, eu era titular, se ganhássemos os dois jogos seríamos campeões. No primeiro jogo, estávamos ansiosos e não jogamos muito bem, eu joguei mal, mas mesmo assim nós conseguimos ganhar e fomos para a final. Na final, ganhamos de 4×0, fiz todos os gols.

E desde daquele torneio, eu sou titular absoluto e um dos melhores do time. Isso é o meu maior orgulho, e do meu pai, porque apesar dos pesares, ele foi o responsável por tudo. Se não fosse ele, eu nem no time estaria, por isso que o agradeço muito.

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