DESPERTAR

Autor: Aline Fontoura De Leon

Hoje acordei com dúvidas.

Sentei na cama, as cobertas reviradas, o pijama amarrotado e a alma inquieta.

Sonhos, ainda, incertos.

Não sei, exatamente, quais caminhos abrir.

Cheguei na cozinha, avistei a louça suja do dia anterior, fiz um café e comi biscoitos.

Pensei em escrever para aliviar a dor.

Buscar novos horizontes.

Olho pela janela, um lindo amanhecer vai surgindo.

A rua ainda sozinha, silenciosa esperando o caos que dali vai surgir.

Lembro dos mesmos compromissos de ontem e, talvez, de amanhã.

Quem sabe, penso, a vida transforma.

Começo o dia sem muita intensidade.

O momento quase sem encantamento.

Ando entediada do mesmo andar, que me faz parar…

Daquilo que se repete, incansavelmente.

Estou com dificuldades para olhar além do cotidiano.

Em meus pensamentos o desejo de ser outra em outro lugar.

Construir uma nova versão de mim mesma.

Sinto que tenho várias mulheres pulsantes a descobrir.

Sou muitas, quase sempre, e poucas de vez em quando.

Alterno entre pedaços de mim – que já fui – e aqueles que ainda quero SER.

Imersa em meus devaneios, olho novamente pela janela.

Agora percebo vãos, frestas abertas de uma luz vibrante.  

O dia começa a se compor em várias nuances de cor.

Olho as horas, o tempo passando…

E o Sol brilhando, avisando que o dia está somente começando…  

 

Este é um fruto da Oficina de Crônica, ofertada pelo LAB- Laboratório de Leitura e Produção Textual em parceria com a oficineira Viviane Geribone.

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