Pretos Velhos: Os Psicólogos de Deus

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Imagem do site: http://umbandasimsenhor.blogspot.com.br/2012/05/pai-antonio.html

Preto Velho Pai Antônio.

Isadora Espinosa.

Minha experiência com os pretos velhos acho que é a mais intensa de todas as linhas de Umbanda, porque a terreira que frequento e desenvolvo minha mediunidade atende com essa linha para o passe. Assim como outras terreiras escolhem outras linhas para desenvolverem para o passe, a que eu faço parte escolheu essa. Desde meus 10 anos de idade, que essa falange é minha conselheira para muitas decisões importantes da minha vida, meu colo nos momentos de tristeza ou aflição, o abraço mais aconchegante que  alguém pode receber. Então, venho falar um pouco dos costumes dessa falange conhecida como os psicólogos de Deus.

  O motivo da homenagem aos pretos velhos ser no dia 13 de maio, é o dia da abolição da escravatura, assinada pela princesa Isabel.

   Pretos velhos é a falange da Umbanda em que essas entidades tem uma roupagem, na sua maioria, de negros e idosos. Muitos Deles viveram na época da escravidão, o que justifica as letras dos seus pontos (histórias cantadas) falarem em senzala, cativeiro, senhores ou termos que nos remetam a escravidão.

  Muitos Deles são curandeiros, benzedeiros e todos lidam com a magia branca, durante seus trabalhos, ainda fazem uso de ervas como arruda, alecrim e guiné. Como curandeiros ou benzedeiros, Eles receitam chás, pomadas, incensos para seus consulentes (pessoa que toma o passe), dão oferendas a serem feitas, esclareço ainda que querer fazer ou não a oferenda é livre arbítrio de cada um e nada de ruim acontece com a vida de quem opta por não fazê-la. Porque o conceito de oferenda é ofertar algum material natural (sendo assim, não prejudica a natureza), em troca de alguma energia que esteja precisando em algum campo da vida. Ainda aconselham que sejam feitas preces para diversos fins sempre usados para o Bem. Usam ainda o “ponto riscado’’ que é uma espécie de desenho que simboliza ou conta um pouco da sua ancestralidade, é feita com a pemba, uma espécie de giz de quadro. Tudo que o médium incorporado come ou bebe durante o trabalho é para energização do corpo físico e nada é em demasia como por exemplo: rapadura, marola (água com açúcar), marafo (cachaça) ou vinho, o que cada um bebe ou come depende do que cada entidade solicita. O uso do fumo, seja o cigarro, o charuto, cigarro de palha (denominado ‘’pito’’) ou ainda o cachimbo, é para uma limpeza da aura do consulente.

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Imagem: Pemba http://www.maniasemanias.com/produto/pemba-branca

 

 

 

 

Tem suas nomenclaturas por Tio, Tia, Pai, Mãe, Vovô ou Vovó. Eles ainda têm uma subdivisão em seus nomes que são: Congo, Aruanda, D’Angola, Matas, Guiné, da Bahia e das Almas. Alguns exemplos de nomes de Pretos(as) Velhos(as) são: Vovô Sebastião, Vovó Cambinda, Pai Antônio das Almas, Mãe Maria do Fogareiro.

Os médiuns desincorporados que auxiliam os médiuns que estão incorporados, essas entidades, são denominados Cambonos(as). Eles que servem marola (água com açúcar), o marafo (cachaça), a pemba, a rapadura,  o vinho e a vela branca às entidades e, ainda, anotam as oferendas para os consulentes. Além disso, ajudam energicamente os médiuns que estão trabalhando.

  As festividades, depois da gira (nome ao culto de Umbanda), são celebradas com comida como: refrigerante, principalmente o guaraná, rapaduras, pipoca, cocadas, feijão mexido, bolo de milho e fubá.

Foto de destaque: Congá da Casa de Caridade em 2008, Homenagem aos Pretos Velhos.

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