O Brasil e suas duas pandemias / Coluna do Jacinto

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Por César Jacinto

O Brasil vive um momento delicado em diversos aspectos, agravado ainda pela pandemia da Covid-19, que certamente está afetando todos os setores do país e continuará por um tempo indeterminado influenciando a vida de todos. Depois disso não seremos os mesmos, como na realidade nunca fomos, pois nada se repete, como canta Lulu santos, “a vida vem em ondas…”, nunca haverá uma igual, sempre será diferente.

Enfrentamos no momento duas pandemias diferentes: a primeira é a comum a todo planeta, onde a maioria dos países, cada um da sua forma e de acordo com as suas características econômicas, sociais, geográficas e estruturais estão procurando reduzir as consequências do coronavírus com medidas baseadas em critérios científicos e seguindo orientações dos organismos internacionais de saúde e dos respectivos órgãos internos do setor.

Os países que negligenciaram os malefícios que o vírus poderia causar, acabaram tendo sérios problemas de saúde pública, pois o número de infectados teve crescimento geométrico, assim como número de óbitos, gerando uma situação de tragédia anunciada. Como exemplo pode-se citar a Itália e Inglaterra, cujos governantes num primeiro momento desconsideraram as orientações técnicas para isolamento da população, deixando resultados catastróficos e desesperadores.

No Brasil, como no mundo, a Pandemia chegou e em pouco tempo tomou proporções gigantescas, se alastrando do Oiapoque ao Chuí, sem medidas de contenção principalmente em aeroportos e portos, o coronavírus se alastrou rápido fazendo muitas vítimas, principalmente aquelas que estão em áreas distantes dos hospitais e em regiões de difícil acesso, atingindo os mais pobres e os negros, chegando muito forte nas comunidades quilombolas e nas reservas indígenas, infelizmente os que têm menos acesso aos serviços de saúde acabam mais penalizados.

A segunda pandemia é ainda mais grave do que a Covid-19, pois dela surgem outras situações de enfermidade, é o fato de o país ter no comando um chefe de estado, que prega o ódio, atua como um pseudo maestro frente ao coro, que não possuindo as condições mínimas de reger este seleto grupo musical, acaba desestabilizando o efeito sonoro. A comparação é para compreender que assim como qualquer grupo musical sem a presença de um maestro que entenda da função efetivamente não funciona, um país que tem a frente um incompetente que pensa estar fazendo um grande serviço à nação também é impraticável. No caso nem os melhores músicos são capazes de executar com preciosidade uma obra musical neste contexto.

Pautado no achismo, na ignorância, no corporativismo, tendo como predicados principais a soberba e o ódio, este governo pandêmico não consegue dialogar com os poderes, com os diversos segmentos da sociedade, pois sua constituição é monologa e sobrevive da imposição das suas ideias sobre os outros, sem admitir um mínimo contraponto. Além disso, age com profundo desrespeito com as instituições, dentre elas a imprensa, que numa democracia deve ter sua liberdade de expressão preservada.

A Pandemia desse governo tomou atitudes insensatas, autoritárias e o pior de tudo extremamente equivocadas, que resultaram em prejuízos múltiplos para todos  os brasileiros, sem uma política de saúde baseada na ciência e seguidora das orientações de órgãos internacionais e nacionais do setor, o país continuará a deriva, pois sem timoneiro de verdade, nenhuma embarcação chega ao seu destino, a torcida é para que o barco não vire em demasia, pois quem estará naufragando serão as vidas de milhares de brasileiros.  

Imagem: http://dukechargista.com.br

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César Jacinto é professor, graduado em Pedagogia pela UERGS, com especialização em Diversidade Cultural e Mestrado em Ensino pela Unipampa. Escritor, cronista e pesquisador da História e Cultura Afro-brasileira e militante do Movimento Negro.

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