Jogos de letramento: a arte dos encontros textuais

                              Jogos de letramento: a arte dos encontros textuais

Abstrato

               Prof. Dr. Vítor Jochims Schneider (Letras/UNIPAMPA – Campus Jaguarão)

 

Tentamos a todo custo convencer nossos alunos de que leitura e escrita são atividades transformadoras. Tentamos a todo custo provar que ler e escrever palavras sobre superfícies são tarefas que podem mudar a vida de alguém. Do nosso ponto de vista, um convite irrecusável. Quem não quer escrever a sua história? Quem não quer dar voz às suas ideias?  Enchemos nossas mochilas com as melhores referências, materiais didáticos e boas intenções para lançar às nossas turmas o velho convite para que adentrem ao mundo das letras.

Quem observa desde o lado de fora deste mundo custa a crer que leitura e escrita sejam atividades transformadoras. Repare bem em quem está escrevendo: o sujeito fica lá, horas e horas, sentado numa cadeira desconfortável, olhando para folhas frias sobre a mesa ou para a tela ardente do computador. Anotas algumas ideias, digita umas letrinhas. Escreve um par de linhas. Risca frases inteiras, apaga um ou dois parágrafos num clique. Para, olha para o lado e coça a cabeça. Volta ao trabalho, completa um frase, adiciona uma preposição, retoca um acento. Coça a cabeça outra vez. Preenche mais umas cinco linhas. Suspira. Fixa os olhos numa parede por longos segundos.  Anota rapidamente mais um par de linhas e logo para outra vez. Tudo isso, repetidamente, silenciosamente, por horas a fio.

Sejamos honestos, quem se deixaria convencer de essa atividade tão monótona pode ser transformadora? Convenhamos, quem se deixaria convencer de que horas gastas nessa solidão podem transformar uma vida?

Quando respondemos a estas questões, nos afastamos do nosso ponto de vista construído num espaço de confortável letramento e percebemos o quão difícil é aceitar e propor convites à leitura e à escrita. A dificuldade que se faz nítida e inegável, porém não joga a leitura e a escrita em sala de aula no terreno do impossível.

A desnaturalização da escrita e da leitura escolar nos aponta para a necessidade de pensar no ensino de línguas como um convite para entrar no mundo das letras. É necessário não esquecer que quem propõem um convite propõe um encontro. Neste caso, propomos um encontro entre pessoas e textos, corpos e textos.

De que maneiras é possível se encontrar com um texto? A descrição feita acima é apenas um modo – bastante enfadonho e descorporizado – de encontrar-se com um texto. Há inúmeras outras maneiras de promover este encontro esperando por serem descobertas e inventadas: lançar palavras no ar, escrever com a voz, ler com o ouvido, interpretar o próprio eco, atar associações, engordar sintagmas, atar linhas narrativas, quebrar argumentos, colocar frases em disputa, levar discursos para passear. Se a vida é a arte do encontro, é preciso mobilizar nossa energia vital para propormos novas maneiras de nos encontrarmos com os textos.

Apostando na tese de que jogar possibilita a aprendizagem, esta oficina propõe aos participantes a vivência de uma sequência lúdica de encontros textuais. Através da instalação de um espaço de jogo, poderemos desestabilizar nossos modos de ler e escrever e experimentar outros padrões de eventos de letramento e repensarmos nossas ferramentas pedagógicas.

Não trata-se de uma aula, mas de uma experiência, uma oportunidade de jogar com a novidade, com novos modos de ler e escrever a partir do encontro de corpo e texto. Portanto, vista roupas confortáveis, que permitam o movimento. Traga uma garrafa de água para matar a sede. Leve uma caixa de papelão, para criarmos um livro.

oficina cartoneira

Prof. Dr. Vítor Jochims Schneider (Letras/UNIPAMPA – Campus Jaguarão)

http://lattes.cnpq.br/9265775380196275

Licenciado em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou o doutorado em Estudos da Linguagem pelo Programa de Pós Graduação em Letras da mesma instituição. Atualmente atua como professor adjunto nos cursos de Licenciatura em Letras Espanhol-Português e Licenciatura em Letras – Português (EaD) na UNIPAMPA (Campus Jaguarão). Tem interesses investigativo por diversas áreas. No campo da extensão, coordena o projeto Laboratório de Letramentos Alternativos, que promove oficinas de leitura e escrita em diferentes espaços comunitários.

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