Hilda: quando a magia encontra a simplicidade

Por Giana Guterres

Oiii, hoje tenho uma indicação de uma das minhas animações preferidas. 

Hilda é uma daquelas animações que te convida a tirar o sapato, se ajeitar no sofá e relaxar enquanto toma sua bebida preferida e isso pode ser mais convidativo com esses dias frios. Adaptada de uma HQ com o mesmo nome, criada pelo artista Luke Pearson, é recomendada para crianças de todas as idades. Em 2019, ganhou o prêmio BAFTA de Animação.

Uma das suas marcas é o estilo de desenho com traços simples que parecem feitos por lápis e uma pintura semelhante à aquarela com cores suaves, que não só aguçam a imaginação como nos enchem os olhos com detalhes como o céu em cores degradê. Hilda é um desenho aconchegante e agradável de se ver. Eles levaram ao pé da letra que o simples tem que ser feito perfeitamente.

Quando falamos em narrativa, as histórias também são potentes no seu ar lúdico, fundamentais para a infância – especialmente meninas ao mostrar a personagem Hilda em aventuras para além da “mocinha comportada”. A simplicidade em não querer contar nenhuma história por trás ou ensinar uma moral, dão liberdade para mostrar a protagonista e seus amigos descobrindo o mundo. E é nessa simplicidade que ela é tão encantadora. Hilda mescla elementos de fantasia inspirados no folclore escandinavo ao explorar paisagens urbanas e rurais. Na sua jornada de descoberta, além de fazer amigos, conhece novos lugares e é desafiada por inúmeras situações que precisam ser solucionadas com coragem.

Mas não se engane com essa trama aparentemente simples, pois a série esconde uma leveza de espírito impressionante. Juntando a descoberta mágica do mundo com uma simplicidade aconchegante, Hilda traz uma nostalgia dos clássicos, trazendo memórias e sensações para os mais velhos e encantando as novas gerações. Hilda é o tipo de desenho que é para crianças sem ser infantilizado e sem insultar a inteligência de quem mantém viva a criança dentro de si. Hilda é uma criança que age como criança e tem suas questões de criança, o que talvez seja o maior mérito da criação de Luke Pearson.

“Para finalizar o porquê essa série é tão encantadora, temos uma produção quase que impecável. Para mim a produção, ou seja, a animação, as cores, o traço, a música etc, têm que servir ao que a obra se propõe, e não faria sentido se Hilda tivesse um estilo de traço complexo ou cores vivas.” – Crítica do Lente Nerd sobre Hilda

Hilda é extremamente destemida e possui uma personalidade cativante e curiosa e se destaca por ser a única de cabelo colorido: azul. Sua amiga Frida, uma garota negra e muito inteligente, logo se acostuma a essa rotina de aventuras. O único garoto do trio, David, é quem lida de maneira mais explícita com o medo e reluta nas jornadas perigosas. Essa narrativa mostra que homens também sentem medo e que coragem também faz parte das mulheres, o que torna a produção infantil bem relevante!

“Eu queria uma personagem que fosse muito positiva e que se envolvesse em aventuras por sua própria curiosidade, empatia ou senso de responsabilidade. O tipo de personagem que vive uma aventura porque realmente quer, não porque é forçada a isso. Eu sabia que ela deveria se interessar por tudo e questionar constantemente as coisas que acontecem com ela. Ela é muito fácil de escrever, o que me faz pensar que ela às vezes mal tem um personagem. Parece óbvio para mim o que ela faria e é nos outros personagens que eu realmente tenho que pensar e “escrever” mais conscientemente. O único “não” firme que me dei é que ela não deveria ser violenta e nunca resolver nada com uma briga.”

Luke Pearson

Espero que tenham gostado da indicação. Logo eu volto por aqui compartilhando mais das coisas que gosto e que me inspiram. Se tiver alguma indicação, também pode me enviar que eu vou ficar bem feliz e vou adorar trocar uma ideia contigo.

Graduada em Jornalismo e Produção Cênica, mestranda em Comunicação na UFPR onde pesquisa gestão e comunicação de espaços culturais. Trabalha com projetos relacionados à literatura, teatro e com assessoria de imprensa na área de Cultura. É autora de Eu, Passarinho e Luar, o menino que escuta estrelas. Se interessa por produção de arte por mulheres, dramaturgia e teatro de animação. Escreve poemas e o que der vontade, e começou a bordar para bordar suas escritas  em @floresciversos.

Comentários
  1. Marina Zion
  2. Lawerence Altop

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