Dua Lipa: o último ato pop

image1                                                                               Capa do álbum Future Nostalgia

Com alguma frequência, aparecem artistas que marcam o mundo pop. No atual momento, a inglesa Dua Lipa conseguiu furar a bolha e virou fenômeno mundial, conquistando inclusive um público que normalmente não consome este tipo de música. A favor dela, contam-se várias coisas, como as letras chicletes, referências aos anos 80 e 90, visual característico e uma massiva divulgação de cada uma de suas músicas de trabalho. Todos esses elementos parecem configurar escolhas de uma carreira milimetricamente estudada, a fazendo o primeiro grande nome do pop na década de 2020.

 

Tendo trabalhado até então apenas como modelo, Dua Lipa assinou com a Warner Music e lançou seu primeiro sucesso em 2015. A música Be The One, um synthpop, virou uma queridinha, entre outras, da rádio Antena 1, que é famosa por priorizar apenas música de qualidade em sua grade. Nos Estados Unidos, alcançou o topo da Billboard Dance Club Songs.

 

Be The One viria a fazer parte do seu primeiro álbum de estúdio autointitulado Dua Lipa. Lançado em 2017, um disco recheado de hits, com sete singles trabalhados com performances na tv, versões e entrevistas.

 

Primeiro álbum

 

A tracklist começa com Genesis, uma canção com referências ao livro religioso. Dua já abre o álbum cantando os versos ‘’No começo/Deus criou o céu e a terra/Para falar a verdade, acho que ele te criou primeiro/É só minha opinião/Seu corpo é um paraíso para o qual eu quero voar/Todos os dias, todas as noites’’. Lost In Your Light, a segunda canção, é a única colaboração do álbum, com o cantor de R&B Miguel. Hotter Than Hell, assim como a anterior, é ótima. Be The One é a quarta, seguida de IDGAF, sigla em inglês para ‘’eu estou pouco me fodendo’’, surge uma Dua Lipa desbocada, em sua melhor versão.

 

Em Blow Your Mind (Mwah), sexta canção, é a vez da versão divertida de Dua: ‘’Hey/Se você não gosta como eu falo, por que estou na sua mente?/Se não gosta como eu danço, termine seu copo de vinho/Vamos brincar e discutir, você ainda vai me amar cegamente/Se nós não arruinarmos isso/Garanto que posso te impressionar/Mwah’’. Garden segue com as referências a Genesis: ‘’Então estamos indo embora deste jardim do paraíso?/Estamos indo embora deste jardim do paraíso?’’. No Goodbyes traz uma intérprete emotiva, como poucas vezes vemos na cantora, querendo amar seu amado como se não houvesse amanhã. Em Thinking ‘Bout You, Dua Lipa também canta sobre um amado, aqui sobre a obsessão de seus pensamentos.

 

New Rules

 

New Rules, décima faixa e quinto single, foi o verdadeiro divisor de águas em sua carreira. Lançado em julho de 2017, quando a britânica tinha apenas 22 anos, alçou-a ao sexto lugar do maior chart do mundo, o Hot 100 da Billboard. O clipe, icônico, parece ter várias camadas de significado, exaltando, por exemplo, a sororidade. No vídeo, ela, inclusive, caminha sobre a água, junto com os flamingos.

 

Caso você não conheça as novas regras, são elas: ‘’Um/Não pegue o celular/Você sabe que ele está ligando/Porque está bêbado e sozinho/Dois/Não o deixe entrar/Você tem que acabar com ele de novo/Três/Não seja amiga dele/Você sabe que vai acordar/Na cama dele de manhã/E se você estiver por baixo/Você não vai superá-lo’’.

 

Begging e Homesick completam a tracklist. Na versão deluxe do álbum, contam com as parcerias com Calvin Harris, One Kiss, e com Martin Garrix, Scared to Be Alone. Ela também cantou com o rapper Sean Paul, em No Lie.

 

Em 2020, Dua Lipa lançou seu segundo álbum de estúdio, conseguindo algo dificílimo, que é superar sua estreia. Future Nostalgia é totalmente característico e coeso, com clipes coloridos, coreografias sincronizadas, letras sobre a vida nas pistas de dança, álcool e decepções. O álbum se tornou símbolo do momento que estamos vivendo, com quarentena, pois é para cima. Mas, acima de tudo, contribuiu para uma nova tendência, que é resgatar algo dos anos 80, como temos visto em artistas novos, vide Doja Cat.

 

Future Nostalgia

 

A cantora abre o álbum com a faixa-título, Future Nostalgia, falando diretamente com o público, algo que acho interessantíssimo, pela metalinguagem ou por ser meio que uma espécie de quebra da quarta parede. ‘’Você quer uma música atemporal, eu quero mudar o jogo’’, ela crava, acertando em cheio. ‘’Eu sei que você está morrendo de vontade de me entender/Meu nome está na ponta da sua língua, continue com o falatório’’.

 

Don’t Start Now”, o primeiro single, conseguiu superar New Rules, tendo pico na segunda posição na Hot 100. Tem sido um grande sucesso, especialmente, no Brasil, com a ajuda da Manu Gavassi no reality show Big Brother Brasil que, em todas as festas, performa com os demais participantes. No país, está atualmente no topo do Itunes e da Apple Music. Don’t Start Now é a cara de Dua Lipa nessa sua nova era.

 

A sonoridade de Cool, terceira faixa, se encaixa perfeitamente na proposta do trabalho, algo mais calmo. Physical, escolhido como segundo single, é a música mais energética, contrastando com Cool. É impossível não gritar junto “let’s get physical!” do refrão. Levitating tem sido é a faixa que ainda não foi trabalhada como single com mais streams. Aqui ela traz outro ângulo de vista das pistas de dança: ‘’Meu amor, estou levitando/A Via Láctea, estamos renegando’’. Pretty Please é simplesmente ótima, seguida de Hallucinate, que bebe diretamente de Madonna, influência confessa de Dua Lipa. Love Again traz sample de um sucesso dos anos 90, a fazendo instantaneamente clássica.

 

Break My Heart, terceiro single e atual sucesso, é outro que conta com clipe com situações surreais e letra que qualquer um, em algum momento, pode se identificar: ‘’Eu teria ficado em casa/Porque eu estava melhor sozinha/Mas quando você disse olá/Eu sabia que era o fim de tudo/Eu deveria ter ficado em casa/Porque agora não há como deixar você ir/Estou me apaixonando por alguém que partiria meu coração?’’. Se em Break My Heart, ela canta sobre dúvidas, em Good In bed, o assunto é a certeza sobre ter alguém com o qual são bons de cama.

 

O encerramento do álbum não poderia ser melhor. A feminista em Boys Will The Boys volta a falar diretamente com o público: ‘’Se você está ofendido com essa música/Você claramente está fazendo algo errado/Se você está ofendido com essa música/Então provavelmente você está dizendo/Garotos serão garotos/Mas as garotas serão mulheres’’.

 

A boa notícia é que Dua Lipa já avisou que Future Nostalgia, assim como o primeiro álbum, terá vários singles. Ou seja, é provável que seu nome continue em alta. Não é possível dizer sobre a década, mas o ano já é seu.

Por Willians Barbosa

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