O frio geometriza as coisas…

 

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Por Stéfany Solari Maciel

 

Uma frase do cubano Alejo Carpentier define vários momentos

certos momentos que andam incertos

mesmo no frio que geometriza as coisas

na região da campanha gaúcha

eu na frente da lareira, em um dia de uma chuva fria

assistindo o frio chegar e a chuva

geometrizando todos cenários pampeanos possíveis

em meio a tanta turbulência que estamos vivendo

Pandemia, covid-19, nuvem de gafanhoto, crise econômica, crise política

Uma crise mundial capitalista,

mas também refletindo como uma crise pessoal para todos.

 

Nesse período pandêmico

procurei ficar mais próxima de mim

Aproveitando a introspecção da estação mais fria do ano

Busquei diretamente me conectar com a natureza,

pois estamos cada vez mais afastados dela

e de nossa relação com ela

esquecendo da nossa essência

dando prioridade ao avanço tecnológico

e esquecendo que somos feitos de água, ar, fogo e terra

nos desconectando com a humanidade.

 

O que vemos na pandemia?

É a perda da nossa essência

Nossos antepassados previam cada temporal

Muitas vezes com um simples toque na terra

Esquecemos até mesmo nossos antepassados

Permitimos até mesmo que eles sejam dizimados

Todos os dias.

 

Os dias passam rápido ou lentamente

Dependo do ponto de vista

Não honramos mais nossos abuelitos

Maltratamos nossa pachamama

Envenenamos nossos rios, campos e florestas

Achamos que estamos em paz

Mas estamos apenas geometrizando um modo de vida.

 

Mini bio: Stefany é formada em letras pela UNIPAMPA, e atualmente cursa especialização em educação (UFPel), e mestrado em história da literatura (FURG). “A arte e a ciência, a paixão e o pensamento, a representação e a apresentação, a diferença e o parecido também se dão assim – nas fronteiras, em travessia.” (Wilberth Salgueiro em O que é literatura de testemunho.)

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