O cabelo e poder de transformar a autoestima

Por Maria Augusta Tellechea Alves

Hoje eu decidi escrever sobre o meu cabelo, e não só sobre o meu cabelo, mas sobre o efeito que ele causa na minha autoestima, coisa que eu sei que não acontece só comigo.

Eu nunca fui de pensar muito sobre o meu cabelo, pensava mais no sentido de: Qual vai ser a minha próxima mudança? E não no tanto que isso me afetava. Eu sempre gostei muito de mudanças, muito mesmo, mas quando era mais nova me faltava a coragem de mudar, quando eu amadureci (eu acho) comecei a mudar de leve, fazendo mechas de um tom mais claro que o meu tom natural, e aos poucos comecei a virar loira de verdade, esse processo durou cerca de 2 anos, até que quando eu fiquei loira mesmo, um tom bem claro, quase platinado eu resolvi pintar ele de azul, porque os cabelos coloridos sempre foram uma paixão, depois do azul, cansei e fiquei morena de novo por mais ou menos 1 ano e meio.

E aí foi quando eu resolvi que queria ficar loira de novo, mas não daquele jeito demorado, eu queria ser loira de um dia pro outro, e foi assim que depois de colocar essa ideia na cabeça, eu fui atrás da cabeleireira que eu sempre vou na minha cidade e pedi que ela realizasse meu desejo, ela fez, o processo durou 2 dias e eu amei, pensava que sim, eu definitivamente ficava melhor loira do que morena, mas ser loira é perigoso, cansativo, dói e é caro. Mesmo levando em conta esses poréns queria ficar sempre mais e mais loira, mas, sim é claro que tem um mas, eu com a minha mania de mudar sempre pintei o cabelo de rosa, e como sempre eu gostei, até então de todas essas mudanças eu nunca me arrependi realmente de nada, eu sempre gostava, às vezes não a princípio, mas depois me acostumava.

Agora chego ao ponto que me levou a escrever esse texto, o dia que eu fui no salão fazer luzes e tirar o rosa, mesmo amando meu cabelo rosa ele já estava desbotado, e claro nunca pensei que fosse ser um problema, então o tão temido corte químico aconteceu comigo, não vou falar exatamente do que aconteceu porque agora mais calma não acredito que tenha sido erro meu ou do profissional que escolhi para isso, foi um acidente e talvez um aviso para que eu parasse de fazer tantas químicas e algo pior acontecesse, mas é importante falar que tive todo o suporte do profissional, que prometeu ajudar a fazer com que eu me sinta melhor. O meu cabelo caiu, praticamente metade da quantidade do meu cabelo que já não era muita, caiu, e foi aí que eu parti em busca do apoio das minhas amigas, e mesmo sabendo de algumas coisas me surpreendi, porque essas coisas acontecem, e é aquela velha história né, “dos males, o menor”, uma das amigas relatou um corte de franja que não deu certo no dia de uma festa, outra falou dos dreads que eram uma solução arranjada para químicas em excesso, outra disse que como resultado de progressivas também já havia passado pelo corte químico, e nisso uma das minhas melhores amigas que venceu um câncer recentemente me ofereceu ajuda, dizendo que poderia emprestar as faixas de cabelo que ela usava na época. Aquilo foi demais para mim, pensei: Meu Deus, como estou fazendo drama, eu tenho saúde, tenho minha família, tenho amigos, casa pra morar, entre outras tantas coisas a que eu sou grata e estou reclamando de um cabelo que vai acabar crescendo.

Foi um fato que me fez pensar, e pensar nas coisas que acontecem conosco é muito importante. A primeira das pessoas que eu encontrei depois do que aconteceu, quando eu ainda estava muito abalada, foi quem me falou que o cabelo da gente interfere muito na nossa autoestima, por vários motivos, mas acredito que motivo principal seja a pressão social que sofremos, as pessoas esperam que a mulher esteja sempre bonita, que tenha cabelos longos e bem cuidados, se não, é sinal de desleixo. Refletindo, percebi que a nossa autoestima está completamente relacionada com a maneira como nos sentimos, e o nosso cabelo influencia nisso.

O assunto cabelo é muito amplo, e eu poderia falar mil coisas sobre isso, e foi depois do que me aconteceu que pensei coisas do tipo: vou raspar, ficar careca, por que não? Ah! Não eu ficaria muito feia, meu rosto é muito redondo para ter cabelo curto, não sou tão feminina ou delicada, aquele tipo de coisas que nós como mulheres ouvimos muito, “tu não tem porte de pessoa que pode usar cabelo curto” e o que isso significa? Realmente eu não sei, quem inventou os padrões de beleza, ou quem definiu os “cortes para tipos de rosto” uma das coisas mais comuns de se ver.

Eu sinceramente acho que o corte de cabelo ideal para cada tipo de rosto é aquele que a pessoa bem quiser usar, gorda com cabelo curto, magra com cabelo crespo, baixinha com cabelo no joelho e assim por diante, no fim eu acabei cortando o meu cabelo, não tão curto como gostaria mas eu realmente amei, foi libertador, acho que há males que vem pra bem.

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