7 MANEIRAS COMO A MULHER FOI DEMONIZADA

Por Dienifer Vieira

5 – O tabu em relação à menstruação

A relação da mulher com a menstruação é rodeada de sentimentos de vergonha, de ter que esconder algo “sujo e desagradável”. Inclusive, é muito comum vermos propagandas mostrando o fluxo menstrual em azul, cor que simboliza a água, a limpeza, reforçando como a menstruação deve ser mascarada.

Porém, negar, ignorar ou odiar a menstruação é a negação do próprio feminino. Essa negação não existe à toa, ela foi construída no interior das mulheres por milênios de patriarcado; das culturas dos romanos, gregos e religiões posteriores, que culminaram no nosso ocidente moderno. Inclusive, a menstruação é uma das punições à mulher, atribuindo a Eva a culpa eterna por ter amaldiçoado o sexo feminino no paraíso.

Abaixo, trago algumas referências que ajudaram no surgimento do tabu em relação à menstruação:

No Alcorão, livro sagrado do islamismo:

Consultar-te-ão acerca da menstruação; dize-lhes: É uma impureza. Abstende-vos, pois, das mulheres durante a menstruação e não vos acerqueis delas até que se purifiquem[…]” (Alcorão 2:22)

Na bíblia sagrada:

“…em sua impureza menstrual; ela está impura… quem tocar em algumas dessas coisas ficará impuro; lavará suas roupas e se banhará com água, e ficará impuro até à tarde.” (Levítico 15)

“Não te aproximarás de uma mulher para ter relações sexuais durante a impureza da menstruação.” (Levítico 18)

A mulher após o parto em Levítico 12:

O Senhor falou a Moisés: “Fala aos israelitas: Quando uma mulher engravida e dá à luz um menino, ficará impura durante sete dias, como nos dias da menstruação. No oitavo dia o menino será circuncidado. A mãe ficará mais trinta e três dias em casa, purificando-se do sangue. Não poderá tocar nada de santo, nem entrar no santuário, até se completarem os dias da purificação. Se der à luz uma menina, ficará impura durante duas semanas, como na menstruação, e permanecerá em casa durante sessenta e seis dias, purificando-se do sangue. Completados os dias da purificação pelo filho ou pela filha, apresentará ao sacerdote, na entrada da Tenda do Encontro, um cordeiro de um ano como holocausto e um pombinho ou uma rola como sacrifício pelo pecado. O sacerdote os oferecerá diante do Senhor, fazendo por ela a expiação, e ela será purificada do fluxo de sangue. Esta é a lei para a mulher que dá à luz um menino ou uma menina. Se não dispuser de recursos suficientes para oferecer um cordeiro, tomará duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado. O sacerdote fará por ela a expiação, e será purificada”.” 

Na primeira enciclopédia latina (73 a.C.):

O contato com [sangue menstrual] torna o vinho novo azedo, colheitas tocadas tornam-se estéreis, enxertos morrem, sementes nos jardins secam, o fruto das árvores cai, a borda de aço e o brilho de marfim são embotados, colmeias de abelhas morrem, até mesmo o bronze e o ferro são absorvidos pela ferrugem e um cheiro horrível enche o ar; prová-lo enlouquece os cachorros e infecta suas mordidas com um veneno incurável.

Judeus ortodoxos, em suas preces matinais diárias, recitam “Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez mulher”.

E na verdade, o sangue da menstruação é matéria viva, orgânica, e relembra o poder da mulher de gerar a vida, reaparecendo mensalmente caso seu óvulo não tenha sido fecundado. Além disso, a menstruação é rica em nitrogênio, potássio e fósforo, funcionando como um poderoso fertilizante para plantas.

Felizmente, o resgate do sagrado feminino e o significado da menstruação têm sido procurado por muitas mulheres, como uma forma de ressignificar a sua relação com o seu feminino, arruinada pelos séculos de dominância do patriarcado.

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Sangue menstrual fluindo do colo uterino

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Elixir da vida no vaso sanitário. Imagem super corriqueira 🙂

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